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"A Criança e o Vendedor de Balões"


«Um dia, um rapazinho negro observava, com muita atenção, um vendedor de balões numa exposição agrícola.
O homem era, manifestamente, um bom vendedor. Lentamente ia cortando os fios e libertando os balões um a um, de forma a que estes se elevassem alto, no céu, atraindo assim uma multidão de potenciais jovens clientes.
Começou com um vermelho, depois libertou um azul, um amarelo e, ainda, um branco.
Todos subiam bem alto até se perderem de vista e desaparecerem.
O rapazinho negro ficou, durante muito tempo, a contemplar a subida dos balões.
Em breve restava, apenas, um balão preto.
Aproximou-se, então, do vendedor e perguntou :
- “Senhor, se deixar ir o balão preto, também vai subir tão alto como os outros?”
Dirigindo à criança um sorriso aberto, cortou o fio que retinha o balão preto e, enquanto este se elevava no ar, respondeu: 
- “Não é a cor, filho, mas sim o que está no seu interior que o faz subir.”»

Graphomage
Ilustr. Vendeur de ballons à Kabul 
Tradução e adaptação
Maria M. Abreu

"A Realidade é aqui e agora!"


«Um guerreiro Japonês foi capturado pelos seus inimigos e atirado para uma prisão.
Naquela noite sentia-se incapaz de dormir por saber e recear que, no dia seguinte, iria ser interrogado, torturado e executado.
Lembrou-se, então, das palavras do seu Mestre Zen:
-"O amanhã não é real. É uma ilusão. A única realidade é o aqui e agora."
Prestando atenção a estas palavras o guerreiro serenou e, rapidamente, adormeceu.»

Tradução e adaptação
Maria M. Abreu


"A Lenda das Amendoeiras em Flor", Algarve



"Há muitos e muitos séculos, antes de Portugal existir e quando o Al-Gharb pertencia aos árabes, reinava em Chelb, a futura Silves, o famoso e jovem rei Ibn-Almundim que nunca tinha conhecido uma derrota. Um dia, entre os prisioneiros de uma batalha, viu a linda Gilda, uma princesa loira de olhos azuis e porte altivo. Impressionado, o rei mouro deu-lhe a liberdade, conquistou-lhe progressivamente a confiança e um dia confessou-lhe o seu amor e pediu-lhe para ser sua mulher. Foram felizes durante algum tempo, mas um dia a bela princesa do Norte caiu doente sem razão aparente. Um velho cativo das terras do Norte pediu para ser recebido pelo desesperado rei e revelou-lhe que a princesa sofria de nostalgia da neve do seu país distante. A solução estava ao alcance do rei mouro, pois bastaria mandar plantar por todo o seu reino muitas amendoeiras que quando florissem as suas brancas flores dariam à princesa a ilusão da neve e ela ficaria curada da sua saudade. Na Primavera seguinte, o rei levou Gilda à janela do terraço do castelo e a princesa sentiu que as suas forças regressavam ao ver aquela visão indiscritível das flores brancas que se estendiam sob o seu olhar. O rei mouro e a princesa viveram longos anos de um intenso amor esperando ansiosos, ano após ano, a Primavera que trazia o maravilhoso espectáculo das amendoeiras em flor."

"Paz Interior"



«Era uma vez um rei que se propôs oferecer um prémio ao artista que apresentasse a pintura mais bela, dedicada ao tema da paz.

Foram vários os artistas a concorrer.
Depois de as observar a todas, só se interessou por duas e, de entre essas, teria de escolher apenas, uma.
A primeira pintura representava um lago calmo que espelhava, na perfeição, as montanhas majestosas que se encontravam à sua volta. Sobre este, havia um céu azul com algumas nuvens brancas.
Todos quantos a observaram  pensaram que era esta a imagem perfeita da paz.
A outra obra também tinha montanhas. Mas eram abruptas, rochosas e desprovidas de vegetação. Sobre elas estava representado um céu tempestuoso, com chuva e relâmpagos.
Ao lado da montanha havia uma grande queda de água.
Nada, nesta pintura, parecia ter qualquer semelhança com a paz.
Mas, ao observá-la minuciosamente, o rei reparou que havia um pequeno arbusto que tinha crescido no rochedo, por detrás da queda de água.
E no arbusto, um passarinho tinha construído o seu ninho. E lá se encontrava ele, aninhado, rodeado por remoinhos de água, numa paz perfeita…
O rei acabou por escolher este segundo quadro, explicando: “Estar em paz não significa estar num local onde não existam, nem barulho nem complicações. Não … a paz significa encontrarmo-nos no meio de tudo o que nos pode perturbar mantendo, apesar das circunstâncias, a serenidade no nosso coração.”»

Contes philosophiques
Trad./adap.
Maria M. Abreu

Insólito, "Locais de morte"

  Quando o insólito acontece!!! Esta publicidade encontrava-se e permaneceu por um longo período de tempo na Via do Infante, próximo da saíd...