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"A Realidade é aqui e agora!"


«Um guerreiro Japonês foi capturado pelos seus inimigos e atirado para uma prisão.
Naquela noite sentia-se incapaz de dormir por saber e recear que, no dia seguinte, iria ser interrogado, torturado e executado.
Lembrou-se, então, das palavras do seu Mestre Zen:
-"O amanhã não é real. É uma ilusão. A única realidade é o aqui e agora."
Prestando atenção a estas palavras o guerreiro serenou e, rapidamente, adormeceu.»

Tradução e adaptação
Maria M. Abreu


"A Lenda das Amendoeiras em Flor", Algarve



"Há muitos e muitos séculos, antes de Portugal existir e quando o Al-Gharb pertencia aos árabes, reinava em Chelb, a futura Silves, o famoso e jovem rei Ibn-Almundim que nunca tinha conhecido uma derrota. Um dia, entre os prisioneiros de uma batalha, viu a linda Gilda, uma princesa loira de olhos azuis e porte altivo. Impressionado, o rei mouro deu-lhe a liberdade, conquistou-lhe progressivamente a confiança e um dia confessou-lhe o seu amor e pediu-lhe para ser sua mulher. Foram felizes durante algum tempo, mas um dia a bela princesa do Norte caiu doente sem razão aparente. Um velho cativo das terras do Norte pediu para ser recebido pelo desesperado rei e revelou-lhe que a princesa sofria de nostalgia da neve do seu país distante. A solução estava ao alcance do rei mouro, pois bastaria mandar plantar por todo o seu reino muitas amendoeiras que quando florissem as suas brancas flores dariam à princesa a ilusão da neve e ela ficaria curada da sua saudade. Na Primavera seguinte, o rei levou Gilda à janela do terraço do castelo e a princesa sentiu que as suas forças regressavam ao ver aquela visão indiscritível das flores brancas que se estendiam sob o seu olhar. O rei mouro e a princesa viveram longos anos de um intenso amor esperando ansiosos, ano após ano, a Primavera que trazia o maravilhoso espectáculo das amendoeiras em flor."

"Paz Interior"



«Era uma vez um rei que se propôs oferecer um prémio ao artista que apresentasse a pintura mais bela, dedicada ao tema da paz.

Foram vários os artistas a concorrer.
Depois de as observar a todas, só se interessou por duas e, de entre essas, teria de escolher apenas, uma.
A primeira pintura representava um lago calmo que espelhava, na perfeição, as montanhas majestosas que se encontravam à sua volta. Sobre este, havia um céu azul com algumas nuvens brancas.
Todos quantos a observaram  pensaram que era esta a imagem perfeita da paz.
A outra obra também tinha montanhas. Mas eram abruptas, rochosas e desprovidas de vegetação. Sobre elas estava representado um céu tempestuoso, com chuva e relâmpagos.
Ao lado da montanha havia uma grande queda de água.
Nada, nesta pintura, parecia ter qualquer semelhança com a paz.
Mas, ao observá-la minuciosamente, o rei reparou que havia um pequeno arbusto que tinha crescido no rochedo, por detrás da queda de água.
E no arbusto, um passarinho tinha construído o seu ninho. E lá se encontrava ele, aninhado, rodeado por remoinhos de água, numa paz perfeita…
O rei acabou por escolher este segundo quadro, explicando: “Estar em paz não significa estar num local onde não existam, nem barulho nem complicações. Não … a paz significa encontrarmo-nos no meio de tudo o que nos pode perturbar mantendo, apesar das circunstâncias, a serenidade no nosso coração.”»

Contes philosophiques
Trad./adap.
Maria M. Abreu

Rachel Grant Artwork

  "A good book" "Knitting and flowers" Rachel Grant